BIOGRAFIA 

LÚCIA DE CARVALHO :
A arte de enraízar a luz

Lúcia de Carvalho é uma alquimista, uma pesquisadora de sentido e despertadora de essência. Sua voz transmite vibrações que curam e transformam, ao passo que seu tambor faz ecoar as vozes dos antepassados, convidando a nos conectarmos com nosso eu mais profundo. Vozes e ritmos se unem ao serviço da beleza: aquela que vive em nós e aquela que nos rodeia. Para as almas prontas para soltar as amarras, o universo miscigenado de Lúcia de Carvalho atua como um farol que nos convida a manter a direção, apesar dos ventos e marés. Está tudo ali, resta apenas se deixar levar.

A menina nascida em Luanda certamente não suspeitava dos desvios improváveis ​​que o seu destino iria tomar quando ela ouvia sua mãe cantando para aliviar o fardo dos longos dias passados ​​criando suas cinco filhas sozinha. Ao partir para Portugal, leva consigo as três filhas mais novas e as coloca num centro que acolhia crianças, perto de Lisboa. Lúcia viveu lá por alguns anos, rodeada de brincadeiras, músicas e das mulheres que cuidavam delas. Ela tinha doze anos quando foi informada de que uma família iria recebê-las, ela e suas duas irmãs, na França. Ela chega então a Meistratzheim, uma pequena vila da Alsácia onde se adapta rapidamente, embora sentisse saudades de sua mãe que havia ficado em Portugal e de suas raízes africanas, as quais não quer esquecer.

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© Franck Loriou

Elas reaparecem de forma inesperada, quando um grupo de música brasileira, o Som Brasil, se apresenta em sua vila. Foi com este grupo que a Lúcia  fez sua estreia musical. De corista a vocalista principal, ela se banhou por dez anos nos ritmos tradicionais brasileiros,incluindo dansa e tambor na sua expressão artística.

Em 2008, decidiu lançar-se em carreira solo escrevendo suas próprias canções. Três anos depois, seu primeiro EP “Ao descobrir o mundo” revela toda sua paixão pelo ritmo, seus amores brasileiros e seu desejo de fazer essa herança viajar, dando-lhe toques de rock ou reggae. Quem Sou? ela se pergunta em uma das canções. A questão atormenta a nossa aventureira que navega entre a França, suas raízes angolanas e o Brasil, a terra prometida. Ela conhece então Edouard Heilbronn, um jovem baixista francês que acabava de passar quase três anos do outro lado do mundo, encerrando sua jornada com uma longa estadia na cidade de Todos os Santos e Todos os Ritmos: Salvador da Bahia. E o que tinha que acontecer, aconteceu. Eles compartilham suas vidas e a música, trabalham juntos nas composições e percorrem os palcos oferecendo ao público toda a energia solar e radiante da Lúcia.

Em seguida, com a maquete de um novo disco em mãos, os dois embarcaram em uma longa jornada, tão musical quanto iniciática, pelo Brasil e Angola. Kuzola (“Amar” em Kimbundo) será o nome do disco (2016) e também de um documentário sensível e comovente que retrata a busca de Lúcia por suas raízes, oferecendo as respostas às perguntas sobre sua identidade :  « as raízes são Angola, o caule Portugal, a flor Brasil, e a França é o solo que permite que esta flor cresça.» Depois da busca de sentido de Kuzola, ela parte em busca da essência.

Sempre em simbiose com Edouard Heilbronn, começa então a aventura deste terceiro album, gravado e mixado por Jean Lamoot no Studios Ferber em Paris. A África e o Brasil, claro, ainda estão lá, como o coração de quem vive e compõe batidas de tambores, encontrando palavras, melodias e ritmo simultaneamente. Um diamante bruto que seu parceiro lapida, enriquecendo-o com harmonias e imagens sonoras que fazem das músicas do disco verdadeiros filmes de viagens sublimados pela participação de artistas internacionais vindos do Brasil e de Angola.

 

Pwanga ni Puy? Luz ou escuridão? Pwanga ! « Luz » é o título do novo álbum de Lúcia de Carvalho que alia a suavidade ao poder, o sentido e a essência, a luz e as raízes profundas de uma árvore nascida na África, cujos ramos abraçam o mundo e florescem em 13 canções brilhantes e comoventes. Ela demorou para perceber, mas na verdade o seu nome anunciava sua vocação desde o início. Lúcia significa luz, do Carvalho (árvore) : a força da árvore. O que resume sua busca poética e humana: "Enraizar a luz".

 

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